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terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Isaltino Gomes Coelho Filho
Esta crônica é mais choradeira que outra coisa. Mas sejam pacientes. Exerçam a misericórdia comigo. Li esta notícia que reproduzo ipsis literis, do jornal “O Globo”: “A música piorou nas últimas décadas. O que parece relativo quando dito por um crítico ganhou tons científicos com um estudo realizado pelo Conselho Nacional de Pesquisa da Espanha. Pesquisadores, através de programas de computador, analisaram 464.411 músicas populares do Ocidente lançadas entre 1955 e 2010, incluindo pop, rock, hip-hop, folk e funk. Com os resultados obtidos, avaliaram tendências com o passar dos anos. As diferentes transições entre combinações de notas diminuíram de número nas últimas décadas. A variedade de timbres na música pop também caiu significantemente desde os anos 1960. Sobre este fato, a conclusão dos pesquisadores é que os compositores tendem a se manter fiéis às mesmas qualidades de som obtidas anteriormente. O volume, porém, tem aumentado desde 1955, em uma ‘espécie de corrida pela música mais alta’”.
Em outras palavras: o volume de decibéis tem substituído a qualidade. O sentido da música não está mais na letra nem na harmonia dos sons, mas na agitação. Isto me parece estar em consonância com a cultura atual em outros níveis. Nós não nos comunicamos mais cognitivamente, mas gestualmente ou corporalmente. A qualquer hora em que alguém ligar a televisão verá um grupo se sacolejando. A cognição cedeu lugar aos sentidos. A razão tem sido posta de lado em detrimento da sensação. O que importa não é o que se expressa verbalmente, mas o que se sente.
Sempre ávidos por novidades mundanas, alguns segmentos da igreja embarcaram nesta tendência. A música evangélica também tem sido empobrecida (e como!) e sua comunicação maior não está no que sua letra diz, mas no quanto faz as pessoas se sacudirem. Desta maneira, os sentidos prevalecem sobre a cognição. E quanto erro teológico se canta! Avalia-se o culto por quanto as pessoas se mexeram, e não por quanto aprenderam sobre Deus e como isto impactou sua vida. Pensei muito nisto nestes dias. Preguei duas noites no Congresso Inspirativo da COBAP (Convenção Batista Amapaense) e nas duas noites ouvi cantar o Quarteto Dom de Livre, de Campinas, que havia cantado três vezes em minha ex-igreja, a Cambuí. No domingo pela manhã, o Dom Livre cantou na Central de Macapá. Fiz o que nunca fizera em 41 anos de ministério pastoral: abdiquei de pregar para eles cantarem. A pregação foram seus cânticos. Tanto na COBAP como na Central, o auditório ficou extasiado. O Quarteto cantou hinos compreensíveis e, o que está se tornando difícil de encontrar, hinos cristológicos. Cristo foi cantado, e não as sensações do adorador. O foco do culto foi Jesus e não o adorador.
À noite tivemos conosco a irmã Cristina Capareli, que foi membro da igreja. Seu esposo, militar, foi transferido, há sete anos. O casal aproveitou o feriado prolongado para vir a Macapá para a filha ver a cidade onde nasceu. Foi outro grande momento: Cristina não grita, não tremelica a voz, não se pavoneia. Apenas canta. Não é artista, é serva. Que impacto espiritual ouvi-la em “Cidade Santa”.
Não se trata de rabugice de velho nem lamúrias de pastor cheirando a naftalina. Apenas uma constatação: o evangelho está se tornando cada vez mais matéria de sentimento, e o culto cada vez mais expressão de movimentos. O homem é o foco do culto. Deus foi glorificado se as pessoas se sentiram bem ou se se expressaram. Por isso que hoje, quando recebo convite de uma igreja para pregar, minha primeira pergunta é como é a liturgia da igreja. Muitas igrejas querem um pastor mais conhecido, para dar notoriedade ao culto e convidam um ou dois cantores famosos. O que prego não faz diferença. O que importa é que eu vá, pois sou um pouco conhecido, e isso dá peso ao evento. E segue o culto: um cantor apresenta uns quatro hinos sem nexo um com o outro e sem conexão com o que prego. Após a mensagem, mais músicas, porque o investimento no cantor precisa ser recompensado. O culto vira uma colcha de retalhos com partes que não se tangenciam. O que o pregador expôs da Palavra de Deus é logo esquecido, porque o cantor “levanta a galera”. A sensação triunfa sobre a reflexão.
Converti-me numa igreja em que Cristo era pregado com convicção, todos os domingos. O pastor se chamava João Falcão Sobrinho, e a igreja era Acari, no Rio de Janeiro. Aprendi a refletir sobre a Palavra de Deus e a procurar internalizá-la. Minha família não era crente e eu era um menino de catorze anos. Morava com meu pai e um primo nos fundos de um bar, na Penha. Para um adolescente, era “barra”, como se diz. O culto me alimentava por uma semana. E era aguardado sempre com expectativa porque no próximo eu iria aprender sobre Deus. Hoje, quando não prego e vou me congregar com irmãos de outra igreja, sempre me aflijo: aonde vou? Gosto de ouvir falar de Jesus, gosto de ver a Bíblia ensinada, e não tenho paciência com barulho. Fiquei um ano e oito sem pastorear (por opção). Viajei muito. Em um ano e meio fiz sessenta viagens. Mas quando estava em casa e precisava me congregar (não consigo ficar sem ir à igreja prédio) me afligia. O que encontraria? Seria alimentado ou seria chamado por um animador de auditório a me sacudir?
Gente como o Dom Livre e como Cristina Capareli estão rareando (eles são jovens, diga-se). A música de qualidade está escasseando. O culto com início, meio e fim, com uma mensagem progressiva, em que todas as partes caminham na mesma direção também está sumindo. A pobreza cultural do mundo se reflete na pobreza bíblica e teológica da igreja.
É, envelhecer é fogo. Mas ter senso analítico também. A gente nem sempre aceita se banalizar. E nossos cultos estão se tornando tão banais! Quando não puder mais pastorear, para onde irei?


Pois é... Não sei se notaram, mas não falei muito hoje. Em parte, pois toda atenção devia ta na palavra, ainda que dura, mas necessária. É necessário relembrar dia e noite o que importa, Deus deve ser o centro, o resto consequência. E a Ele, TODA gloria, não meia, um pouco de... TODA, então não se contente com o pouco ou com o "legal" pra Deus, busque perfeição para Deus, busque TODO louvor e honra a Ele. 

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Boa tarde (15:32 aqui, agora) Leitores Queridos ...


Primeiramente pedimos desculpas (Eu peço pelo menos, maior parte é culpa minha na verdade kkkk) pela falta de atualizações aqui no Blog. (Fim de semestre, provas, #sacoméné). Mas vim compartilhar um texto sobre um pregador inglês Charles Spurgeon, que tem ótimos texto. De uma procurada depois. Será bom.

Segundo o texto abaixo vem de um site com vários textos do mesmo pregador. O site é o: charleshaddonspurgeon.com e lá você pode achar muitos outros textos muito bons, eu sugiro que leiam o: O que tuas amizades ensinam sobre você? - C. H. Spurgeon.

Dito o que foi dito, leia o texto!


Bem-aventurados os irrepreensíveis no seu caminho, que andam na lei do Senhor” (Sl 119.1)

BEM-AVENTURADO. O Salmista se sente tão arrebatado pela lei do Senhor, que considera como estando conformado a ele seu mais elevado ideal de bem-aventurança. Ele está olhando admirado para as belezas da lei perfeita; e, como se nesse versículo encontrasse a suma e resultado de todas suas emoções, ele exclama: “Bem-aventurado é o homem cuja vida é a transcrição prática da vontade de Deus”.

A religião genuína não é apática nem árida; ela tem suas exclamações e êxtases. Não só julgamos ser a guarda da lei de Deus uma atitude sábia e correta, mas nos sentimos ardentemente extasiados ante sua santidade, e clamamos em extasiante adoração: “Bem-aventurado são os imaculados!”. Significando com isso que ardentemente desejamos tornar-nos assim. Nosso desejo por FELICIDADE não é maior do que o de sermos PERFEITAMENTE SANTOS.

É possível que o escritor tenha laborado sob o senso de sua própria falha, portanto invejando a bem-aventurança daqueles cuja vida havia sido mais perfeita e santo que a dele; aliás a própria contemplação da lei perfeita do Senhor na qual ele agora tem ingresso fosse suficiente para levá-lo a deplorar suas imperfeições pessoais e a suspirar pela bem-aventurança de um viver sem mácula.

A religião genuína é sempre prática, pois ela não nos permite deleitar-nos numa regra perfeita sem excitar em nós profundo anelo de conforma a essa regra nossa conduta diária. Uma benção pertence aos que ouvem, lêem e entendem a Palavra do Senhor; não obstante, uma bênção ainda maior advém da real obediência a ela e concretiza em nosso andar e conversação o que aprendemos em nosso exame das Escrituras. A mais genuína bem-aventurança consiste na pureza de nosso caminho e de nossa caminhada.

Este primeiro verso constitui não só um prefácio a todo o Salmo, mas pode ser considerado como o texto sobre o qual o resto é um discurso. É semelhante à benção do primeiro Salmo, o qual é o próprio cabeçalho de todo o livro: Há certa semelhança entre este Salmo 119 e o Saltério, e este é só um ponto dele, que começa com uma benção. Neste também vemos algumas prefigurações do Filho de Davi, que começou seu grande sermão como Davi começou ser grande Salmo. É bom abrir nossa boca com bênçãos. Quando não podemos concedê-las, podemos apontar o caminho de sua obtenção; e ainda quando nem mesmo as possuamos, pode ser proveitoso contemplá-las, para que nossos desejos sejam exercitados e nossas almas movidas a buscá-las. Senhor, se não sou ainda tão abençoado ao ponto de não ser ainda contado entre os imaculados em teu caminho, contudo meditarei intensamente na felicidade que desfrutam, e a porei diante de meus olhos como uma ambição a ser concretizada em minha vida.

Do modo como Davi começa seu Salmo, os jovens deveriam começar as suas vidas; os recém-convertidos deviriam iniciar sua profissão de fé; todos os cristão deveriam começar cada dia. Assentem em seus corações como primeiro postulado e sólida regra da ciência prática que SANTIDADE é sinônimo de FELICIDADE; que nossa sabedoria consiste em primeiramente buscar o reino de Deus e sua justiça. O bom começo já é meio triunfo. Começar com uma idéia veraz de bem-aventurança é importante além de toda medida. O homem começou sendo bem-aventurado em sua inocência; e se nossa raça caída vida a ser vem aventurada outra vez, então ela deve encontrar a bem-aventurança onde ela a perdeu no princípio, ou seja, conformando-se com os mandamentos do Senhor.



O texto nos fala sobre a emoção, alegria, felicidade, que Davi tem em seguir As Leis de Deus, de obedecer Sua Palavra. Alegria que muitas vezes nos falta. As pessoas pensam "Eita, sou crente, não posso isso". Cumprem com deveres, e não por amor a Deus, e felicidade de estar bem com Deus.

Tenham alegria em Deus. Busquem sentir isso. Tudo começa com conhecer, conhecer a Deus e a Palavra.

Um ótimo dia, tarde ou noite pra você. Fique com Deus.

sábado, 27 de outubro de 2012


Bem-vindos ao #UPABlog . Vou compartilhar um texto sobre algo bastante sério, que a cada dia se torna um costume mais e mais natural. Leia com atenção e medite sobre isso. E então melhore. Leia, medite, mude. 


NADEZ EM ALTO ESTILO

"Não é nudez. É nadez mesmo. É um conceito da filósofa Gertrude Stein. Ela criou o neologismo referindo-se ao vazio interior das pessoas, que lhes dá uma vida incolor. Elas necessitam de motivações, mas não querem causas que exijam engajamento. Também não querem estudar, e receiam coisas profundas. São superficiais e vegetativas. Alimentam-se do vazio e do nada. Isto é a nadez.

Quer ver exemplos de nadez? Selecionei, em três sites, notícias publicadas no dia 7 de janeiro. FOLHA.COM: (1) Fernanda Paes Leme curtiu o mar neste sábado; (2) DiCaprio apresentou nova namorada à mãe; (3) Marco Rizza se aborrece e levanta dedo para paparazzo. IG: (1) Famosos levam seus bebês ao teatro no Rio; (2) Cláudia Jimenez e Miguel Falabella jantam juntos no Rio de Janeiro; (3) Fernanda Lima e Rodrigo Hilbert curtem peça. UOL: (1) Paula Abdul termina relacionamento com Braston; (2) Top Ana Beatriz Barros vai à praia com namorado; (3) Filme fez Scarlett Johansson parar de comer carne. Tirando-se DiCaprio, que conheço pelo filme “Titanic”, se trombasse com os demais na rua não saberia quem são. Vez por outra encontro alguns desses famosos em vôos ou aeroportos. São-me tão conhecidos como eu para eles. Um cantor chamou-me de alienado porque eu não sabia quem ele era.
São notícias típicas da cultura nadez. Dão às pessoas a sensação de estarem informadas, de estarem por dentro dos bastidores. Sabem coisas. Banais e inúteis, mas sabem. Ajunte-se a isto o prazer que bisbilhotar a vida alheia dá e eis a realização da pessoa da cultura nadez. Ela se sente ocupada e tem uma sensação de cultura. Seu vazio intelectual, emocional e espiritual é preenchido com o nada.

Parece-me, sem querer ser maldoso, que estão surgindo uma cultura e uma geração medíocres. Fui pré-adolescente e adolescente nos anos sessentas. Aquela geração foi às ruas protestar. A geração de hoje vai aos shoppings consumir. Aquela queria transformar o mundo. A atual quer o melhor do mundo. O ideal cedeu espaço para o desfrute. Falta de grandeza. Mas meu grande receio é que a nadez esteja migrando para as igrejas. As pessoas querem agito, mas não reflexão. Querem sensações, mas não estudo. Nada de “pesado” deve ser pregado. Sermão expositivo? Nada disso! Que tal algumas historinhas? A mensagem e o culto devem ser  “light”, como as notícias dos sites. O estudo bíblico cede lugar ao “compartilhamento”, um momento em que cada um conta uma história em que, geralmente, é o herói. Fui a uma reunião de estudo bíblico na qual as pessoas estavam sem Bíblia. Disseram-me, candidamente, que seu costume era o de compartilhar sua semana uns com os outros. É uma boa prática, mas não deveria receber o nome de “estudo bíblico”. O livro texto não era a Bíblia, mas as pessoas. Não se estudava a Bíblia. Papeava-se. Em muitos cultos nadez, as pessoas ouvem alguma coisa sobre Deus e cantam alguma coisa sobre ele. Mas nada “denso” (como alguém me  recomendou para pregar), nada comprometedor. Tudo suave. Tudo nadez. Alguns de nossos cânticos são nadez pura. O próprio enfoque da vida cristã não é mais o de ideal, mas o de desfrute: como ser abençoado, como conseguir o melhor na vida material, seguindo alguns bons conselhos espirituais. A vida cristã passou a significar uma vida tranqüila, cheia de coisas, e não o investimento da vida e dos bens no reino, num compromisso com o evangelho e com a igreja de Jesus. Nadez espiritual.

Nadez cultural já é lastimável. Mas nadez espiritual é pior. Ilude a pessoa. Leva-a a sentir-se realizada com migalhas que caem da mesa, e não com o pão farto. Leitor, você está na fase da nadez ou do tudez? Não tenho a envergadura de uma Gertrude Stein, mas deixe-me criar um neologismo. O tudez vem do esquecido hino “Tudo, ó Cristo, a ti entrego, tudo, sim, por ti darei”. Tudez dá realização. Nadez é engodo. Opte pelo tudez."

Isaltino Gomes Coelho Filho 

Texto do blog do Pastor Isaltino.